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"Os trabalhos do Pró-Música e da FEA são essenciais para possibilitar o atendimento precoce de vocações e oferecer orientação adequada e ampla"

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Divulgação
BERENICE MENEGALE: “A TRAJETÓRIA DO PRÓ-MÚSICA É EXEMPLAR, E AS CONSEQÜÊNCIAS POSITIVAS DE SEU TRABALHO TÊM SIDO UMA CONTRIBUIÇÃO INESTIMÁVEL AO DESENVOLVIMENTO CULTURAL DO PAÍS, TANTO NO CAMPO DA FORMAÇÃO QUANTO NA ESFERA DA PESQUISA MUSICOLÓGICA”
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Em entrevista ao Jornal Pró-Música, Berenice Menegale fala sobre as ações desenvolvidas no Instituto Cultural Orquestra Sinfônica (ICOS) e na Fundação de Educação Artística (FEA), os desafios de realizar séries de concertos em Belo Horizonte, o trabalho na formação de uma nova geração de músicos e a similaridade com as atividades realizadas pelo Centro Cultural Pró-Música.

Jornal Pró-Música - Gostaria que a senhora nos falasse sobre suas atividades à frente do Instituto Cultural Orquestra Sinfônica (ICOS) e da sua trajetória enquanto diretora da Fundação de Educação Artística.
BERENICE MENEGALE - “O ICOS é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, criada em 2005, por iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura. Começou a funcionar em 2007 com uma diretoria provisória, o conselho administrativo e o regente titular, maestro Fabio Mechetti, que elaborou o projeto da Orquestra e a programação da primeira temporada. Em novembro de 2007, instalou-se uma nova diretoria. O presidente é Diomar Silveira, que esteve em Juiz de Fora no dia 13 de julho, na abertura do Festival, acompanhando a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Meu cargo no ICOS é de diretora de operações artísticas; colaboro com os demais membros da diretoria e com o regente titular (também diretor musical) no planejamento e na execução dos projetos da orquestra. Participo também da comissão artística, órgão previsto no estatuto. Procuro compatibilizar o trabalho no ICOS com a supervisão da Fundação de Educação Artística (FEA), entidade que criei, com um grupo de músicos, há 45 anos. A FEA mantém cursos livres de música e uma programação cultural que privilegia a música contemporânea e o estímulo à composição. A FEA também promove cursos e treinamentos nos campos musicais pouco assistidos pelas entidades oficiais. Mantém ainda um programa de bolsas de estudo e formação profissionalizante de músicos em comunidade carente.”
Uma das atividades da FEA é atender a cerca de 400 alunos em cursos livres de formação, a exemplo do que acontece com o Centro Cultural Pró-Música. Qual a opinião da senhora sobre a importância deste tipo de formação para aqueles que desejam caminhar rumo à profissionalização na música?
“Os trabalhos do Pró-Música e o da FEA com cursos livres são essenciais para possibilitar o atendimento precoce de vocações e oferecer a orientação adequada e bastante ampla para contemplar as características individuais.”
Outra área de atuação da fundação é a difusão artístico-cultural, por meio da realização de séries musicais. Qual a periodicidade da série de concertos, o objetivo da iniciativa e os desafios para a definição da programação cultural?
“A programação cultural da FEA tem se adaptado às circunstâncias. Em determinada época, por exemplo, eram realizados ciclos anuais de música contemporânea, que tiveram extraordinária repercussão e realmente transformaram a realidade do público de concertos na cidade. Em outra fase, a FEA se encarregava da coordenação dos Cursos de Música dos Festivais de Inverno, em Ouro Preto e Diamantina; havia então uma profunda interação entre esses eventos e o dia-a-dia da FEA, como também houve uma repercussão transformadora nas outras escolas de Belo Horizonte. Atualmente, existe um movimento de jovens compositores em Belo Horizonte que representa uma nova fase. A FEA recebe e estimula todos esses jovens e mantém o grupo Oficina Música Viva que reflete a situação de hoje. O grupo congrega intérpretes da FEA, da UFMG e da UEMG e desenvolve um trabalho de alto nível, com concertos de obras de compositores mineiros, brasileiros, latino-americanos e internacionais contemporâneos. Outro tipo de evento mais esporádico é o Encontro Latino-Americano de Compositores e Intérpretes, que a FEA realizou em quatro ocasiões e pretende – caso receba o apoio necessário, repetir em 2009. Além desses grandes eventos, há as Semanas de Música de Câmara, semestrais, e as dominicais Manhãs Musicais na Sala Sergio Magnani. Em colaboração com o Núcleo de Pesquisa da Canção Brasileira, da UFMG, a FEA realiza, há mais de quatro anos, um ciclo de recitais para divulgação.”
A senhora conhece o trabalho desenvolvido pelo Centro Cultural Pró-Música? Que avaliação faz sobre ele?
“Conheço e acompanho o trabalho do Centro Cultural Pró-Música desde os primeiros concursos de piano, ainda no tempo do saudoso Arnaldo Estrella. A trajetória do Pró-Música é exemplar, e as conseqüências positivas de seu trabalho têm sido uma contribuição inestimável ao desenvolvimento cultural do país, tanto no campo da formação quanto na esfera da pesquisa musicológica.”
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